Espiritismo
para crianças

por Marcela Prada

 

Tema: Desobediência


O burrinho desobediente


Dona Catarina era uma simpática senhora que vivia numa fazenda, com vários animais. Ela cuidava com carinho de todos eles, mas havia um que era especial para ela. Era o seu burrinho Dito.

Desde pequeno, Dito havia sido tratado com muitos mimos e cuidados. Mas, conforme foi crescendo, ao invés de desenvolver
gratidão e respeito, passou a se considerar mais importante e melhor que os outros.

Dona Catarina, que o amava muito, fazia tudo que podia para educar seu burrinho, mas ele só se metia em confusões.

Às vezes ele fugia para comer plantas dos canteiros da fazenda vizinha. Dona Catarina, constrangida, tinha que ir lá buscá-lo e pedir desculpas para os vizinhos.

Certo dia, depois de mais um passeio não autorizado, quando Dona Catarina foi ao seu encontro, para trazê-lo de volta, o burrinho se revoltou, considerando-se muito controlado. Ele, então, saiu correndo, desaparecendo na paisagem e deixando Dona Catarina gritando por ele.

- Daqui para frente quero ser livre e fazer o que eu quiser! – pensava ele.

Quando a noite chegou, o burrinho ainda não havia voltado. Dona Catarina chorava, sentindo a falta de seu amado animal.

Dito tinha ido bem longe e agora, sozinho e no escuro, estava com vontade de estar em casa. O vento era frio. Ele havia comido os matos do caminho, mas ainda estava com fome. Lembrando-se de sua ração e do seu feno gostoso, sentiu vontade de voltar, mas estava cansado, pois havia corrido bastante.

Na manhã seguinte, Dito pensou em voltar para casa, mas, orgulhoso como era, decidiu não ir. Preferiu procurar outro lugar para morar, onde pudesse sempre fazer o que quisesse, sem ninguém para incomodá-lo.

Mas Dito não ficou sozinho por muito tempo. Logo ele foi encontrado por um homem, que passou uma corda em seu pescoço e levou-o para o seu sítio. O burrinho acompanhou o homem achando que tinha tido sorte e que viveria feliz num novo lar. Mas não foi isso o que aconteceu.

O homem era rude. Não só não tinha carinho com seus animais, como castigava-os se não fizessem o que ele queria.

Dito começou a ter que trabalhar pesadamente, comer mal, dormir ao relento e a obedecer rigorosamente a tudo que o homem falava.

Um dia, Dito tentou fugir, mas não conseguiu e ainda apanhou do sitiante malvado.

Todas as noites o burrinho chorava arrependido. Lembrava-se de Dona Catarina com imensa saudade. Somente agora, sofrido e sozinho, é que ele conseguia reconhecer como era feliz na fazenda.

Um bom tempo se passou. Dona Catarina também sentia saudades de Dito. Ela havia espalhado cartazes pela redondeza, conversado com vizinhos, feito tudo o que podia para encontrá-lo.

Um dia, então, alguém foi até a fazenda e contou que havia visto um burrinho num sítio distante dali. Era um animal mais magro que Dito, também não tinha o pelo brilhante nem sedoso, tinha o olhar triste e os cascos lascados e feridos. Mas era do mesmo tamanho e da mesma cor de Dito.

A descrição deixou dúvidas, mas mesmo assim Dona Catarina se encheu de esperança. O mais rápido que pôde ela foi até o sítio indicado e, chegando lá, que surpresa!

Ela mal reconheceu Dito pela aparência judiada que ele apresentava. Mas não teve dúvidas de que era ele, quando Dito a reconheceu e veio correndo ao seu encontro, relinchando e saltitando de alegria,

A velhinha abraçou seu querido burrinho com muita alegria e, chorando, agradeceu a Deus por ter ouvido suas preces e ter permitido que eles se reencontrassem.

Dona Catarina só conseguiu levar Dito para casa depois de pagar o alto preço que o homem cobrou por ele. Mas valeu à pena. Ter seu burrinho novamente em casa era tudo que ela queria.

Dito e dona Catarina passaram a viver, finalmente, muito felizes. Algumas coisas ficaram iguais ao que era antes, como o carinho e os bons tratos de dona Catarina para com seu querido animal.

Outras, no entanto, ficaram bem diferentes. A porteira da fazenda, por exemplo, podia ficar até aberta, que Dito não fugia mais.

 

(Adaptação da história “A Velha e o Burro Desobediente”.)


 


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O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita