
Com o seminário “A vida não acaba aqui”,
a ACEMI celebrou 20 anos de atividades
Na tarde de 24 de outubro, sábado, a Associação Cultural
Espírita Mudança Interior (ACEMI), de Vale de Cambra, em
Portugal, promoveu o seminário "A vida não acaba aqui: o
Espiritismo explica e a Ciência também". Com este
evento, celebrou o seu 20º aniversário de atividade
contínua.
Aberto ao público, o evento encheu o auditório e contou
com diversas conferências.
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A abertura teve lugar pelas 14h00 com palavras
de boas-vindas de Lurdes Lourenço, da
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associação anfitriã. |
Passou uma mensagem de boas-vindas
e gratidão. Afirmou que o Espiritismo se fundamenta numa
tríplice vertente que abrange ciência, filosofia e
moral, tendo em Jesus de Nazaré o modelo essencial para
a evolução humana. A codificação de Allan Kardec,
composta por cinco obras nucleares e complementada por
autores clássicos e contemporâneos, constitui a base
inalterável de estudo que promove a reflexão crítica e a
investigação. Através de imagens profundas, como a de
uma videira, sugeriu que é possível renovar os
conhecimentos sem nunca perder as raízes originais. Este
percurso de duas décadas de partilha e aprendizagem
reforça a importância primordial da educação, do
discernimento e da certeza na continuidade da vida.
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Seguiu-se a conferência "Allan Kardec: o homem que
matou a morte", |
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de Jorge Gomes, da cidade do Porto. |
O
expositor referiu uma síntese da vida e a obra de
Hippolyte-Léon Denizard Rivail, mais conhecido por Allan
Kardec, destacando o seu papel brilhante na codificação
do espiritismo. Explicou a transição de Rivail do
ceticismo para a investigação dos fenómenos mediúnicos,
sendo disso exemplo as mesas girantes em voga na altura
e a psicografia na Europa do século XIX. Destacou também
algumas evidências da imortalidade da alma, integrando
conceitos como o perispírito (corpo espiritual),
experiências de quase-morte e manifestações mediúnicas
documentadas por pessoas como o médium Francisco Cândido
Xavier. Sublinhou ainda que a doutrina espírita se
fundamenta na observação metódica e no progresso
contínuo.
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Ulisses Lopes, de Braga, apresentou o tema "Há
vida noutros planetas? E vida inteligente?".
Dissertou sobre a existência de vida
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noutros planetas através da intersecção entre a
perspetiva espírita e a ciência astronómica. |
Analisou o conceito de evolução das almas e
reencarnação em múltiplos mundos, superando a ideia de
que a Terra detém o exclusivo de seres racionais no
cosmos. Um detalhe científico foi introduzido pela
equação de Drake, que estima o número de civilizações
comunicantes na galáxia, e pelo contributo do telescópio
espacial Kepler, responsável pela descoberta de milhares
de exoplanetas. Adicionalmente, as teorias de Michio
Kaku categorizaram as civilizações com base no seu
consumo e controlo energético, situando atualmente a
humanidade num nível pré-planetário. Por fim,
combinaram-se dados estatísticos populacionais e
temporais com hipóteses sobre o crescimento espiritual,
demonstrando que a trajetória humana se insere num vasto
contexto cósmico e solidário.
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Após o intervalo, Carlos Miguel, da cidade do
Porto, discursou sobre esta indagação: "Há
provas da existência |
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de Deus?". |
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Fundamentou a existência de Deus
através de analogias visuais e filosóficas sobre a ordem
do Universo. Apresentou o Criador não como um negociador
de promessas ou juiz, mas como a "inteligência suprema,
causa primeira de todas as coisas". Sublinhou que o
"Reino de Deus" funciona numa lógica de abundância em
que todos beneficiam, contrastando com a economia humana
de perdas e ganhos. Enfatiza ainda que a percepção
espiritual depende da pureza de coração e da clareza com
que olhamos a realidade.
Ulisses Lopes abordou um outro tema e falou sobre
"Superar medos: como fazer?". Passou a ideia de que o
medo funciona como um mecanismo de alerta natural e
essencial para a conservação da vida, embora também
possa transformar-se numa prisão emocional quando
alimentado por vivências passadas ou pela necessidade
excessiva de controlo. Esta emoção tanto nos prepara
para evitar riscos reais como nos limita através de
fobias infundadas. Para superar estes bloqueios,
torna-se necessário reconhecer e compreender a
verdadeira origem da ameaça, distinguindo o perigo
autêntico da mera imaginação. Através de ações graduais
e do desenvolvimento pessoal, conseguimos encontrar o
equilíbrio entre a prudência e a coragem. Em suma,
aprender a lidar com esta reação instintiva permite
fortalecer a confiança e aproveitar plenamente a
experiência humana.
A derradeira conferência surgiu pela voz de Jorge Gomes:
"A vida não acaba aqui: o Espiritismo explica e a
ciência também". A apresentação evidenciou que nos
últimos 150 anos há um percurso de investigação
científica que não pode ser ignorado sobre a
sobrevivência do ser, enquanto Espírito imortal, ao
decesso. A argumentação baseou-se numa análise racional
de dados provenientes de três grandes eixos convergentes
de estudo, com base na obra de Alexander
Moreira-Almeida, Humberto Schubert Coelho e Marianna
Abreu intitulada "Ciência da vida após a morte", livro
publicado pela editora Springer: as experiências de
quase-morte, os fenómenos de mediunidade rigorosamente
testada e os casos sugestivos de reencarnação em
crianças. Os investigadores defendem com solidez que a
força persuasiva não reside numa única prova isolada,
mas sim na convergência de múltiplas evidências
recolhidas globalmente por diversos pesquisadores em
numerosos países. Por fim, o expositor enquadrou estes
avanços científicos com os princípios estruturais do
espiritismo, demonstrando que a mente humana opera de
forma independente do cérebro e reside para além dele,
no próprio ser espiritual que cada um é, mesmo sem
saber.
Em vários momentos decorreram intervenções musicais de
qualidade através do projeto ATAFÉ, um fluxo musical
acústico que convidou à pausa, à tranquilidade e à
reconexão através do som.
A associação organizadora, ACEMI, fica na Avenida Vale
do Caima, 602 R/C, em Vale de Cambra, Portugal.