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por Eder Andrade

Em busca da cura


O atual interesse de muitas pessoas que buscam ajuda em casas espíritas ou espiritualistas, consiste em encontrar uma paz interior assim como uma cura para as doenças ou desequilíbrios que são portadoras.

Essa ideia de cura para doenças ou enfermidades pré-existentes, de que o espírito é portador, envolve terapias e uma ressignificação de nossas vidas e crenças. Para conseguir um equilíbrio mental e psíquico, de forma a ser o primeiro grande passo para convalescença das nossas questões espirituais, o indivíduo precisa desejar.

A reeducação de emoções, assim como a compreensão espiritual da nossa existência representam caminhos fundamentais para um autoconhecimento.

Existem filosofias holísticas onde afirmam que as enfermidades representam o caminho para a cura. Quando o indivíduo percebe a necessidade de promover algum tipo de mudança em sua vida, desperta para a realidade de que uma doença reflete algum tipo de desequilíbrio latente, de um tempo distante, que reverbera tanto no corpo físico quanto no corpo espiritual.

Precisamos aprender a conviver com as nossas dificuldades e buscar um tratamento adequado para os tipos de desequilíbrios que somos portadores, sem entender necessariamente o porquê desses problemas despertarem atualmente em nossa vida. Esse é um dos nossos grandes desafios.

Conseguir promover uma terapia de mudanças, significa aceitar ou admitir que existem caminhos e soluções que ainda não foram empregados. O cerne para os grandes desequilíbrios e perturbações espirituais reside em um acentuado sentimento de culpa que muitos de nós somos portadores, produzido por algum tipo de lembrança ou de influência.

Esse sentimento se transfere de uma encarnação para outra, gerando desajustes inexplicáveis aos médicos, assim como brechas espirituais ao assédio dos obsessores, que aproveitam para estabelecer cobranças implacáveis, minando o equilíbrio do encarnado.

O desdobramento das lembranças equivocadas gera um sentimento que produz uma reverberação no nosso mundo mental, sendo diagnosticada pelos médicos no plano material como uma depressão ou algum tipo de patologia que precisa ser tratada com remédios psiquiátricos. Os remédios indicados pelos médicos apenas minimizam os efeitos, pois as causas encontram-se no inconsciente do indivíduo, produzidas pela emoção mal resolvida que ele é portador.

O sentimento de culpa, desconforto e mal-estar são emoções que refletem os desequilíbrios provocados pelas escolhas e atitudes equivocadas da nossa parte, para com os outros e também para com nós mesmos, principalmente quando vamos contra as leis morais da vida na nossa consciência.

Pela mediunidade de Chico Xavier, recebemos essa mensagem de Emmanuel no livro Justiça Divina, onde ele nos convida para uma reflexão:


Se a consciência te acusa, repara a falta enquanto é cedo.

Chispa de fogo gera incêndio.

Leve alfinetada prepara a infecção. Humildade é caminho.

Entendimento é remédio.

Perdão é profilaxia.

Muitas vezes, loucura e crime, dispersão e calamidade nascem de pequeninos desajustes acalentados. 1


O processo de convalescência do espírito é lento e gradual, pois implica no despertar da consciência de que o principal agente de transformação é o próprio indivíduo.

Podemos pegar como exemplo as curas que Jesus realizou. Elas podem ser explicadas pela luz do Espiritismo, como o caso da cura da mulher hemorrágica.

No trabalho de Marta de Oliveira Moura, na sequência dos livros editados pela FEB, sobre Ensino Aprofundado da Doutrina Espírita, podemos ver que o processo de cura envolve a combinação de vários elementos, como a fé da pessoa enferma na busca de uma melhora, seu sentimento sincero de renovação, assim como a interseção espiritual em favor do enfermo, quando ela explica:


Não podemos desconhecer, todavia, que toda enfermidade tem raízes nas ações do Espírito. Possivelmente, a hemorragia citada no texto evangélico, estava associada a um processo de vampirizarão. Não se pode marginalizar o fato de que a situação tangia outros ângulos terapêuticos que, efetivamente, fugiam à ação dos médicos. Apesar do processo hemorrágico caracterizar um problema físico, havia uma ascendência de ordem espiritual. 
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A cura que muitas pessoas desejam depende da fé, da misericórdia do mais alto, assim como uma mudança na nossa conduta. Não basta apenas querer melhorar, precisamos fazer espiritualmente por merecer.

Todos reencarnamos com o propósito de nos melhorarmos, porém devido a diversidade humana, caminhamos em ritmos diferentes em busca não apenas da nossa evolução, assim como da superação das mazelas que somos portadores.

O espírito André Luiz por intermédio da mediunidade de Chico Xavier, nos deixou uma interessante reflexão para os momentos de angústias e desânimos, escrevendo:


Ore, pedindo a Deus mais luz para vencer as sombras.

Faça algo de bom, além do cansaço em que se veja.

Leia uma página edificante, que lhe auxilie o raciocínio na mudança construtiva de ideias.

Tente contato de pessoas, cuja conversação lhe melhore o clima espiritual.

Procure um ambiente, no qual lhe seja possível ouvir palavras e instruções que lhe enobreçam os pensamentos.

Preste um favor, especialmente aquele favor que você esteja adiando.

Visite um enfermo, buscando reconforto naqueles que atravessam dificuldades maiores que as suas.

Atenda às tarefas imediatas que esperam por você e que lhe impeçam qualquer demora nas nuvens do desalento.

Guarde a convicção de que todos estamos caminhando para adiante, através de problemas e lutas, na aquisição de experiência, e de que a vida concorda com as pausas de refazimento das nossas forças, mas não se acomoda com a inércia em momento algum.3


Bibliografia
:

1) Xavier, Francisco Cândido; Justiça Divina (1962); Cap. 6 - Faltas; FEB.

2) Moura, Marta Antunes de Oliveira de (organizadora); EADE; Mod. IV – Rot. I – A mulher que sangrava; FEB.

3) Xavier, Francisco Cândido; Busca e Acharás (1976); Cap. Texto Antidepressivo (André Luiz); Ed, IDEAL.

 

 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita